27 de outubro de 2006

Imaginar é Ousar…

A imaginação é uma faculdade mental só ao alcance dos seres humanos. Se todas as grandes e pequenas invenções que permitiram a evolução da Humanidade, são sem dúvida fruto do trabalho, também é verdade que a imaginação e o espírito criativo estiveram sempre presentes nessas grandes conquistas civilizacionais.

Os seguidistas do pensamento filosófico do Racionalismo opõem a razão à imaginação, sobrepondo assim as qualidades primárias do pensamento às suas qualidades secundárias. Se é verdade que o raciocínio lógico que aprendemos com Descartes domina o mundo e é a base de todas as análises lógicas, podemos depreender que para analisar coisas e comportamentos ilógicos, por vezes temos que recorrer à imaginação.

É exactamente esse exercício que a Dona Vassoura vai fazer, pois tem a certeza absoluta que se vai debruçar sobre coisas perfeitamente ILÓGICAS.

Imaginemos pois, que em meados deste ano, o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil subsidiou a Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa na aquisição de uma viatura todo-o-terreno para a Protecção Civil Municipal, nomeadamente para a Prevenção de Incêndios Florestais. Imaginemos pois, que essa mesma viatura, que deveria servir para os fins definidos aquando da sua aquisição, foi artilhada e caracterizada com uma parafernália de equipamento como mangueiras, tanques, bombas de água, etc.

Imaginemos pois, que essa viatura esteve provavelmente escondida dos olhares populares durante meses e que posteriormente lhe foi retirado todo o equipamento para a prevenção de incêndios florestais, disfarçando-a de viatura “civil” e normal. Imaginemos pois, que esta segunda transformação teve como objectivo deixar a viatura pronta para um vereador circular nela sem ninguém imaginar a origem da mesma e por caminhos nunca antes imaginados.

Imaginamos pois, que esta situação, de limpa, clara e legal, terá pouco e que, se o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil imagina que o seu dinheiro anda a ser indevidamente utilizado, poderá chatear-se muito a sério com quem ele imaginar que anda de passeata por sítios onde a floresta só pode ser imaginária.

Agora, imaginemos que um cidadão detecta um foco de incêndio, liga para o 117 (Número de Emergência de Incêndios Florestais) e a referida viatura necessita de ser utilizada para a sua função primária? Que se passará então? Eu imagino que alguém da Câmara liga para o Senhor Vereador e este, esteja onde estiver, dirigir-se-á para os armazéns da câmara a fim de montar os tanques, por as mangueiras e ferrar as bombas de água, arrancando de seguida para atacar o referido foco que, com estas demoras todas, já não será um foco de incêndio mas sim um verdadeiro incêndio dos Quintos dos Infernos. É fácil de imaginar que assim não há prevenção florestal, não há protecção civil e acima tudo, e já no campo da lógica, não há decoro, vergonha nem limites para os estratagemas. Quem brinca com o fogo queima-se…

Será esta estória é apenas fruto da minha imaginação? Não será antes verdade que tive que rejeitar o racionalismo devido à falta de lógica desta estória e, optar definitivamente pelo imaginarismo?

Não sei, nem quero saber mas, uma coisa eu sei:

Imaginar é Ousar e muitas vezes ACERTAR!!!

Onde há fumo, há fogo e o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil e os fozcoenses sabem muito bem disso…

Sempre de chama acesa,

Dona Vassoura


P.S.: Aconselhamos vivamente a que o Executivo compre o livro “Ética” de Baruch de Spinoza, um dos grandes racionalistas da filosofia moderna, que custa a módica quantia de 8,49 euros. Este sim, seria dinheiro muito bem empregue…

19 de outubro de 2006

A Vitória das Urgências e a Urgência de uma Vitória

Soubemos há pouco tempo que a nossa Vila Nova foi escolhida pelo Ministério da Saúde para albergar em definitivo uma unidade de urgências, ao abrigo do novo plano de reorganização das urgências hospitalares. Assim sendo, ficará sedeado em Foz Côa um Centro de Saúde e um Centro de Atendimento de Urgências, encarregue de prestar atendimentos a utentes oriundos de uma área vastíssima, que inclui o Douro Superior, a parte sul de Trás-os-Montes e também parte da Beira Alta. Desde Mirandela até à Guarda ( no eixo Norte-Sul ) e desde Moimenta até à fronteira ( no eixo Este-Oeste ), e porque Foz Côa fica precisamente no epicentro deste quadrante, os utentes deverão dirigirem-se à nossa cidade para receber os cuidados de saúde devidos.

Sem dúvida que esta escolha é uma grande vitória para Foz Côa e para os fozcoenses, pois além destes ficarem no epicentro desta rede de urgência, com a consequente redução do tempo de deslocação e acesso a melhores cuidados de saúde, também a Foz Côa terão que se deslocar muitos utentes de concelhos vizinhos, o que poderá ajudar um pouco à criação de mais dinâmica económica, nomeadamente em sectores como os do transportes, hotelaria e comércio. Também se deve salientar que se a saúde é sempre um bem primário, básico e indispensável, em concelhos do interior com populações bastante envelhecidas, este bem assume uma importância ainda mais estratégica e vital, sendo por isso esta centralidade em termos da saúde, bem mais importante do que outras centralidades como a dos serviços judiciais, agrários, etc. Também esta centralidade possibilitará a fixação de mais quadros médios e superiores (médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, etc.) o que sem dúvida enriquecerá socialmente o nosso concelho.

Mas sendo estes factos uma vitória dos fozcoenses, sem dúvida não serão uma vitória do Sr. Presidente da Câmara, senão vejamos: a comissão encarregue de redefinir o mapa de urgências hospitalares atendeu principalmente a três factores para a escolha da nossa cidade: centralidade geográfica, infra-estruturas físicas e recursos humanos. E porque não pode cantar vitória o Sr. Presidente? Vejamos factor a factor. Quanto à centralidade geográfica não pode retirar louros pois segundo se conta, há 5 anos atrás já nem se lembrava onde era Foz Côa. Quanto às infra-estruturas, foram obra dos autarcas do PSD dos fins dos anos oitenta, porque tiveram a visão de fazer obras e de não gastarem o dinheiro em festas, arrais ou comezainas para o povo, como se faz agora. Quanto aos recursos humanos, se efectivamente a maior parte dos médicos do concelho há uns meses atrás eram apoiantes do Sr. Presidente, parece-me que naqueles agora só poderá encontrar o Sr. Edil, inimigos políticos magoados com a sua postura, sendo que um deles em breve assumirá essa mágoa, reassumindo o lugar de vereadora e votando ao lado da oposição!!!

Curioso que da única vitória do nosso concelho nos últimos doze meses, o executivo não pode retirar um único louro ou vir para aí dizer que foi resultante de algum acto seu.

Mas o que me preocupa mais, é que passado um ano de governação, não há nenhuma conquista estratégica, estruturante ou sustentável para a nossa terra, demonstrando-se assim com o tempo, o enorme vazio de actos ou políticas determinantes para o futuro. Mais tarde, todos pagaremos uma factura bem cara, resultante da mais perfeita definição de incompetência!!!

Poderá o Sr. Presidente salvar a honra do convento, aproveitando as boas graças do Ministério da Saúde, para garantir a implantação em Foz Côa de uma Unidade de Saúde Especializada em Cuidados Paliativos, que, como devem saber, trata de doentes terminais, sem cura e moribundos. Poderá assim garantir para o seu executivo, um local aprazível para terminar a sua vida, com a dignidade que todos os merecem. Veja lá é se tem azar com a médica que lhe calha…

Pela vossa saúde,

Dona Vassoura

9 de outubro de 2006

Os Paradoxos…

Algures no verão deste ano, aconteceu nos Paços do Concelho mais uma estória digna de uma novela mexicana, em que o actor principal mais parecia um “coronel” sul-americano, tamanha a falta de sensatez e postura, bem ao tipo do: quero, posso e mando…

Tudo acontece quando o Sr. Presidente da Junta de Freguesia das Chãs, homem bom e zelador por excelência dos anseios dos seus eleitores, aspirando fazer melhorias numa Zona de Lazer lá na terra, combina com o candidato socialista derrotado na sua freguesia, irem ambos solicitar ao Sr. Presidente da Câmara o apoio financeiro para tais melhorias. Diga-se de passagem, que isto é a democracia a funcionar no seu melhor, em que dois políticos importantes de uma aldeia, apesar de serem de partidos opostos e terem sido meses antes concorrentes entre si, decidem unir-se para conseguirem o melhor para a sua terra!!! E cheios desta boa-vontade, dirigem-se então para a audiência com o Edil….

Quando lá chegam, viram um vulto carrancudo, envolto por uma névoa de fumo de cachimbo, que estava de olhos arregalados a ler um blogue, em que mais uma vez a verdade era exposta de uma forma nua e crua…

Acaba tal vulto de ler o blogue, quando, visivelmente irritado, ergue os olhos e fita com fúria os dois grandes democratas que estavam à sua frente. Num ápice, levanta-se e mesmo antes que os outros pudessem sequer cumprimentá-lo, dispara:

- Acabei de ler um blogue, estou farto desta mer… Alguém vai ter que pagar por isto… e já que os senhores aqui estão, vão ser mesmo vocês a pagar as favas da minha irritação. Não sei ao que vêm, nem o que querem, mas como estou chateado também não me interessa. Simplesmente a resposta é NÃO e saiam já do meu Gabinete, ouviram?

- Mas, Sr. Presidente, vimos aqui para solicitar a Vexa que.. (tentaram eles dizer)

_ Nem mas nem meio mas, estou irritado, alguém tem que pagar por isso e como os senhores estão aqui, pagam os senhores e pronto… A resposta é Não!!! -

E, completamente perplexos, os dois grandes democratas atrás referidos, saem do gabinete e vão-se embora, com uma mão cheia de nada e outra cheia de estupefacção!!!

Esta é uma daquelas estórias tão forte, tão forte, que nem necessita comentários. Qualquer comentário que se faça, apenas retira força à estória. Deixo pois, para os caros leitores, a interpretação destes factos e que cada um faça a sua leitura.

Deixo também aos caros leitores, o desafio de adivinharem como a Dona Vassoura soube desta estória:

Será que foi o Sr. Lourenço que me contou num desabafo de espanto???

Será que foi o candidato socialista derrotado nas Chãs num desabafo de vergonha???

Ou será que foi o Sr. Edil num desabafo de arrogância???

Dou-vos uma pista para a resposta, citando o grande filósofo Agostinho da Silva: entre os ortodoxos e os heterodoxos, prefiro os paradoxos!!!

Agora pensem….

Sempre a considerá-los

Dona Vassoura


P.S.- Parece que a próxima contratação da Câmara Municipal será um bom contabilista. Será para controlar as contas? Será para controlar os gastos? Não, parece que será para contar os votos das Assembleias Municipais, pois apesar lá estarem tantos deputados e tão ilustres, e pela interpretação do Senhor Presidente, ninguém sabe contar votos…