O Muro da Vergonha ou das Lamentações?
Estava eu deliciada a folhear Boletins Municipais mais antigos e eis que, na página 6 do n.º 13 do Boletim ( Agosto de 2008 ), sobre a legenda “Execução de um muro no caminho de acesso às Gravuras Rupestres – Castelo Melhor”, está a fotografia que aqui vos mostro, onde se pode ver uma das grandes obras deste executivo, mostrada no meio de muitas outras.
Nem sei como não reparei na grandeza desta obra aquando da primeira vez que li o referido Boletim. Uma obra tão magnânime, uma obra tão faraónica, uma obra tão grandiosa, e eu não reparei nela no Boletim! E se calhar, muitas das pessoas de visita às gravuras, também, por erro grosseiro, não repararam nela. Como pode ser isso possível com tamanha grandeza de tal obra?
Ainda bem que existe o Boletim Municipal para nos informar de tamanha façanha deste executivo!
Existem vários tipos de muros famosos pelo mundo fora, embora alguns já tenham sido derrubados. Dos mais famosos, Berlim, EUA – México, Israel – Cisjordânia, a sua fama vem exactamente pelo facto da sua existência ser uma vergonha para a Humanidade. Existe ainda outro muito famoso, mas aí a popularidade advém do facto de ser a ruína do antigo Templo de Herodes e por ser o local mais sagrado do judaísmo. Estou a falar, obviamente do Muro das Lamentações.
Hesito em adjectivar ou apelidar esta grande obra do nosso executivo, pois não sei se é da vergonha ou, por outro lado, se não será um bom sítio para nós Fozcoenses irmos por lá uns papelinhos com as nossas lamentações.
Se é da vergonha, não é de certeza vergonha nossa, mas sim do executivo, pois sendo o muro absolutamente necessário e importante, é simplesmente uma vergonha que tal recuperação, mais do que legítima e necessária, ascenda à categoria de obra do regime e com relevância no jornal do mesmo regime. Só compuseram esse muro? Foi um entre muitos? Se houveram outros, porque é este importante e os outros não? Acham mesmo que é motivo de orgulho a ponto de vir fotografado e evidenciado como uma grande obra?
Não! Definitivamente, não é um muro da vergonha, pois a nossa vergonha em ter um executivo que se gaba por fazer um muro de
Será um muro das lamentações? Também não creio, pois se é para enfiarmos lá as nossas lamentações, então queremos um muito maior, tipo do tamanho da defunta barragem do côa e mesmo assim, desconfio que não chegava…
Então, se não é da vergonha nem das lamentações, como chamar a este muro?
Salvaguardando a sua especial importância em segurar o caminho ( que sem dúvida tem ) pelo seu tamanho, pelos meios técnicos necessários para o reerguer e pelo dinheiro que deve ter custado ( menos que um ordenado de um gestor de uma empresa municipal ), sem dúvida que podemos apelidá-lo ( agora sim, com toda a propriedade ), como uma obra da TRETA. Ou seja, uma obra da TRETA, feita por um executivo da TRETA e publicitado numa reportagem sobre a TRETA.
Mas, como o nosso executivo só gosta da treta, até me admira que não tenham feito uma inauguração do Muro da Treta, devidamente regada e emporcada, com vários convidados de todo o concelho. Até me admira, não terem criado uma entidade para tomar conta do muro, nomeado um ou dois administradores para essa entidade. Até já estou a ver a esposa de alguém a ser Administradora da “Muros da Treta – Empresa Municipal”.
Sim, porque com a importância dada este e havendo muitos por recuperar pelo concelho fora, é melhor mesmo fundarem uma empresa municipal para o efeito. E também, devido a haver muitos condutores com um parafuso a menos a derrubar muros, é normal que estes necessitem de recuperação.
Deixo-vos este texto sobre treta, que é para não me envergonhar ou lamentar a escrever sobre actos de desobediência a figuras de soberania, ignorância jurídica na barra de um tribunal e aumentos escandalosos a administradoras de empresas que hoje são o que são, mas não tarda serão o BPN e o BPP do nosso concelho.
A crise não é, definitivamente, para todos!
Depois não digam que não avisei…
Com a minha supervisão, vergonha e lamentação
Dona Vassoura