A Ética e a ausência dela
Bento de Espinosa, foi um dos grandes racionalistas da filosofia moderna, nascido em Amesterdão no séc. XVII, no seio de uma família judaica portuguesa. Espinosa ganhou fama pelas suas posições do panteísmo e do monismo neutro e ainda devido ao facto da sua ética ter sido escrita sob a forma de postulados e definições, como se fosse um tratado de geometria. A Ética demonstrada à maneira dos geómetras (ou apenas Ética) é a obra-prima deste filósofo. Encontra-se dividida em cinco partes e a obra parte da metafísica para chegar à ética. Na Primeira Parte trata-se do ser, na Segunda do homem, na Terceira dos afectos, na Quarta da servidão humana, e na Quinta da liberdade.
Há algumas crónicas atrás aconselhei vivamente que o executivo investisse meia dúzia de euros na aquisição desta obra. Segundo consta, parece que seguiram o meu conselho e adquiriram mesmo o referido livro. Mas pelos vistos, não foi para aprender como fazer ou o que fazer, mas para aprenderem exactamente o contrário: como não fazer ou o que não fazer para contrariarem a ética…
Se para os filósofos a ética é um sub-ramo da axiologia que estuda a natureza do que é considerado adequado e moralmente correcto, ou seja é uma espécie de ciência da moralidade, para o nosso executivo a ética não é uma coisa do Espinosa, mas sim uma coisa espinhosa, que teimosamente não lhes passa na garganta, mesmo que empurrada por litros de néctar dos deuses. Também para eles não é a ciência da moralidade mas sim uma espécie de ciência oculta, pois raramente a vêm.
Senão vejamos…
Como sabem existem ajudas de custo que, segundo o prescrito no Decreto - Lei n.º 106/98 de 24 de Abril, servem para que os funcionários e agentes da administração central, regional e local, quando deslocados do seu domicílio, necessariamente por motivo de serviço público, têm direito ao abono de ajudas de custo e transporte, conforme as tabelas em vigor. O que não está escrito nesta lei e, de certeza, em nenhuma outra lei, é que haja uso e abuso deste expediente, de forma a engordarem-se ilegalmente os salários da entourage que gravita à volta da câmara.
O expediente é tão abusivamente usado que, muitas das vezes, chega ao ridículo de alguns assessores (só no papel, é claro) estarem em dois sítios ao mesmo tempo e às mesmas horas, apesar de distarem entre si mais de 100 Kms. É o que dá inventarem deslocações e preencherem os mapas à pressa…
Mais ridículo ainda, é o facto de um tal chefe de gabinete, que raramente sai do edifício da câmara na ânsia de tudo controlar, passar horas a fio a preencher mapas, constando que, os quilómetros declarados e os sítios visitados, dêem neste momento para completar a ligação de Lisboa a Dakar. E tudo isto só para ganhar o euromilhões camarário pois nunca outro conseguiu ganhar.
Ainda se consegue ir mais longe no ridículo quando o motorista do Sr. Presidente não é utilizado em nenhuma deslocação a conduzir o mesmo, pois vão sempre uns assessores ao volante para debitar mais umas ajudas de custo…Estas ao menos são verdadeiras mas continuam a ser ridículas pois são desnecessárias.
Mas o cúmulo do ridículo é quando um assessor, secretário ou coisa que o valha, que já foi vereador neste mandato, para compensar a diminuição de vencimento por ter saído de tal cargo para dar lugar à doutora, com o consentimento do Sr. Presidente, debita ajudas de custo diárias por ter o seu domicílio numa cidade onde é persona non grata, devido às lutas fratricidas da Federação Distrital do PS.
No antigo faroeste os assaltos eram feitos de pistola na mão, mas aqui na nossa terra, pelos vistos, são feitos de caneta e papel na mão. Se calhar estes assaltos são mais elegantes e mais difíceis de detectar mas, continuam a ser ilegais e nada éticos. Qualquer dia, à boa maneira socialista, fazem um referendo local para despenalizar isto, sem terem a coragem de assumir que apenas pretendem liberalizar comportamentos imorais!!!
Mas a ausência de ética também pode ser posta em causa em determinados acontecimentos recentes, se o caro leitor conseguir responder às seguintes questões: De quem é a empresa cujas máquinas estão a trabalhar na Lameira? Quem é o patrão dos funcionários que lá estão? Houve concurso público para tais obras? Houve a dignidade ética de o dono da empresa separar a sua dupla condição de empresário da de político?
Relembrando Espinosa, afirmo que o homem em causa, é um ser político, desprovido de afectos, a não ser pelo dinheiro, que relegado na sua condição de servidão humana, usa e abusa do seu lugar de eleito e ainda assim se encontra em liberdade…
Não quero terminar esta crónica sem me regozijar do lançamento da primeira pedra do Museu. Acho que, mais importante do que se discutir a história dos acontecimentos que nos levaram a mais de 10 anos de desespero, é tempo de, no presente, se preparar de forma sustentada o futuro. Tenho dúvidas quanto à capacidade do actual executivo em o fazer mas, sinceramente, espero que o faça e que a nossa terra ganhe com isso. Espero então, que o Senhor Padre tenha posto muita água benta nessa primeira pedra, de forma a afugentar os maus espíritos que têm pairado sobre as gravuras. É que se não deitou, tudo não passará de mais um processo demoníaco, que nos levará a um inferno pior do que temos agora.
Sem espinhos na garganta
Dona Vassoura
Há algumas crónicas atrás aconselhei vivamente que o executivo investisse meia dúzia de euros na aquisição desta obra. Segundo consta, parece que seguiram o meu conselho e adquiriram mesmo o referido livro. Mas pelos vistos, não foi para aprender como fazer ou o que fazer, mas para aprenderem exactamente o contrário: como não fazer ou o que não fazer para contrariarem a ética…
Se para os filósofos a ética é um sub-ramo da axiologia que estuda a natureza do que é considerado adequado e moralmente correcto, ou seja é uma espécie de ciência da moralidade, para o nosso executivo a ética não é uma coisa do Espinosa, mas sim uma coisa espinhosa, que teimosamente não lhes passa na garganta, mesmo que empurrada por litros de néctar dos deuses. Também para eles não é a ciência da moralidade mas sim uma espécie de ciência oculta, pois raramente a vêm.
Senão vejamos…
Como sabem existem ajudas de custo que, segundo o prescrito no Decreto - Lei n.º 106/98 de 24 de Abril, servem para que os funcionários e agentes da administração central, regional e local, quando deslocados do seu domicílio, necessariamente por motivo de serviço público, têm direito ao abono de ajudas de custo e transporte, conforme as tabelas em vigor. O que não está escrito nesta lei e, de certeza, em nenhuma outra lei, é que haja uso e abuso deste expediente, de forma a engordarem-se ilegalmente os salários da entourage que gravita à volta da câmara.
O expediente é tão abusivamente usado que, muitas das vezes, chega ao ridículo de alguns assessores (só no papel, é claro) estarem em dois sítios ao mesmo tempo e às mesmas horas, apesar de distarem entre si mais de 100 Kms. É o que dá inventarem deslocações e preencherem os mapas à pressa…
Mais ridículo ainda, é o facto de um tal chefe de gabinete, que raramente sai do edifício da câmara na ânsia de tudo controlar, passar horas a fio a preencher mapas, constando que, os quilómetros declarados e os sítios visitados, dêem neste momento para completar a ligação de Lisboa a Dakar. E tudo isto só para ganhar o euromilhões camarário pois nunca outro conseguiu ganhar.
Ainda se consegue ir mais longe no ridículo quando o motorista do Sr. Presidente não é utilizado em nenhuma deslocação a conduzir o mesmo, pois vão sempre uns assessores ao volante para debitar mais umas ajudas de custo…Estas ao menos são verdadeiras mas continuam a ser ridículas pois são desnecessárias.
Mas o cúmulo do ridículo é quando um assessor, secretário ou coisa que o valha, que já foi vereador neste mandato, para compensar a diminuição de vencimento por ter saído de tal cargo para dar lugar à doutora, com o consentimento do Sr. Presidente, debita ajudas de custo diárias por ter o seu domicílio numa cidade onde é persona non grata, devido às lutas fratricidas da Federação Distrital do PS.
No antigo faroeste os assaltos eram feitos de pistola na mão, mas aqui na nossa terra, pelos vistos, são feitos de caneta e papel na mão. Se calhar estes assaltos são mais elegantes e mais difíceis de detectar mas, continuam a ser ilegais e nada éticos. Qualquer dia, à boa maneira socialista, fazem um referendo local para despenalizar isto, sem terem a coragem de assumir que apenas pretendem liberalizar comportamentos imorais!!!
Mas a ausência de ética também pode ser posta em causa em determinados acontecimentos recentes, se o caro leitor conseguir responder às seguintes questões: De quem é a empresa cujas máquinas estão a trabalhar na Lameira? Quem é o patrão dos funcionários que lá estão? Houve concurso público para tais obras? Houve a dignidade ética de o dono da empresa separar a sua dupla condição de empresário da de político?
Relembrando Espinosa, afirmo que o homem em causa, é um ser político, desprovido de afectos, a não ser pelo dinheiro, que relegado na sua condição de servidão humana, usa e abusa do seu lugar de eleito e ainda assim se encontra em liberdade…
Não quero terminar esta crónica sem me regozijar do lançamento da primeira pedra do Museu. Acho que, mais importante do que se discutir a história dos acontecimentos que nos levaram a mais de 10 anos de desespero, é tempo de, no presente, se preparar de forma sustentada o futuro. Tenho dúvidas quanto à capacidade do actual executivo em o fazer mas, sinceramente, espero que o faça e que a nossa terra ganhe com isso. Espero então, que o Senhor Padre tenha posto muita água benta nessa primeira pedra, de forma a afugentar os maus espíritos que têm pairado sobre as gravuras. É que se não deitou, tudo não passará de mais um processo demoníaco, que nos levará a um inferno pior do que temos agora.
Sem espinhos na garganta
Dona Vassoura
P.S. - O irmão do Sr. Presidente, que além de Representante da República nos Açores, é também um homem sábio e de gabarito, exonerou o seu Chefe de Gabinete nos Açores, por este ter tido comportamentos menos próprios. Está visto que elegemos o irmão errado...